CADÊ A EDUCAÇÃO BR 2 ?

3 04 2013

Dois anos e quatro meses(26 meses), o mesmo que, nesta data, 823 dias do Governo Dilma Roussef(PT) e, apesar dos pedidos, das suas próprias promessas de campanha, apesar da razoável situação macroeconômica que o Brasil apresenta, a Educação continua à míngua. Persistem as mazelas, os escombros a céu aberto, a vergonha e indignidade de crianças carregadas como animais até a escola, como que confinadas em salas de aula mofadas, depredadas, que jamais deveriam estar servindo de abrigo ou ambiente onde se pretende ajudar os jovens do país a se desenvolverem através do processo educacional.
EscolaChuva
Uma vergonha para governantes, legisladores e para todo um país que, através do mau uso do voto democrático, daquilo que devia servir como instrumento de mudança desse estado de coisas, na verdade, permite o continuísmo de um sistema falido e carente de melhores dias, como a Educação Brasileira. Na falta de melhor gerenciamento e decisão político-administrativa, o espaço e o tempo escolar, templo da formação de um povo que se diz e pretende grande, é ocupado pelo crime organizado, por traficantes, terroristas e toda uma geração de delinquentes que se acham donos dali e desvirtuam os objetivos daquilo que devíamos crescer aprendendo a amar como amamos nossa própria casa, nosso quarto, nosso jardim. Gestores, técnicos e professores, aos milhares, ganhando um salário vergonhoso mais ajudam a perpetuar essa situação, como a esperar, resignados, por uma espécie de colapso que ponha a cerco a Instituição Educacional e detone a Indignação popular, para assim, talvez, acordarem essa horda de delinquentes políticos que se acham donos do País e dos seus destinos e que permitem as coisas chegarem a tal ponto.
Escola1
Entra e sai ministro de governo na pasta da Educação e não vemos nada. Fernando Haddad continua um desconhecido que envergonhou a história da Educação Brasileira recente com seu imobilismo administrativo, um quase escárnio para com a nação, numa demonstração da péssima qualidade da política e dos políticos que são alçados a postos de comando de nossas mais importantes instituições. Substituiu-o o ilustre Aloízio Mercadante há alguns meses e, como se vê, dando continuidade à vergonhosa gestão da pasta, sem qualquer ato ou elaboração de projeto que demonstre minimamente que as coisas mudarão, enquanto vive a fazer suas contas de futuras x passadas campanhas, enquanto apaniguado nas saias presidenciais, sem qualquer responsabilidade histórica com os destinos da nação que não passem por seus interesses particulares antes, vão sendo empurrados para frente, com a barriga, os graves problemas da Educação BR que tanto atraso nos impõe.
Escola2
Dizer que a 8ª. Maior Economia do Mundo não tem recursos para redimir-se desse seu déficit educacional soa como ridículo. Na Era da Informação, falar isso é como tirar o véu do rosto contraído pela vergonha. O fato é que usam a Pasta da Educação como mero trampolim político-eleitoreiro, sem, no entanto, escrever seus nomes em algo profícuo, que dê alento a professores e estudantes brasileiros. Podemos imaginar que muitos, até mesmo a maioria dos políticos do país estão alheios à questão da Educação, seja por idiotice ou por tender a priorizar outra área. Podemos pensar que estão devidamente debruçados sobre um cuidadoso e revolucionário projeto de redenção da Educação. Podemos, ainda e até mesmo, aceitar a ideia de que, diante do tamanho do problema, realmente seja preciso um tempo maior para a execução de um plano nacional para recolocar a Educação num novo patamar. Mas não. Tudo, todo o tempo e recursos pessoais e financeiros estão prioritariamente atrelados e doentiamente vinculados às exigências eleitorais que se avizinham. A questão é manter-se, encastelar-se, a todo custo no poder, pelo poder e só por ele. E não é coisa de Lula aqui ou Lula lá, de petismo, esquerdismo, progressismo e parecidos. A doença vem de antes, dos militares, Sarneys, Collors, FHCs e toda a horda de penduricalhos eleitorais de plantão.
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Escola4
Dois anos e quatro meses patinando, distribuindo migalhas e acenos a uma parcela da população que precisa erguer-se e indignar-se num grito de basta! Mães que precisam deixar seus filhos aos cuidados do Estado, da Escola, enquanto produzem riqueza para a nação, estão sujeitos a ver seus filhos pequenos agredidos e até mesmo mortos, quando não aliciados pelo mundo do tráfico de drogas. Professoras sofrem verdadeiros atentados dentro das salas de aula… Deviam ser amadas… Quanto tempo nossas autoridades e lideranças vão demorar para escancarar ao mundo a notícia de que o tráfico está dentro dos muros da Escola? Sim, deixaram acontecer, devido à sua burrice, pieguice, ganância e falta de caráter.
Professora1

Professora2
Falta-lhes, senhores políticos, simplesmente coragem! Já não se fala mais em honra – deixa pra lá. Mas o mínimo de coragem política ajudaria a darmos uma verdadeira guinada nos rumos da Educação Brasileira.
Já não tenho mais esperanças, Presidente Dilma Roussef. Já não consigo ver luz trazida pelo seu Governo no que se refere à Educação. Espero estar errado, acredite, mas daqui pra diante, vemos que o negócio é manter-se no poder e nada mais, ou melhor, o povo que se dane. Uma pena. Imaginar que com o mínimo de dignidade política qualquer um de vocês alçaria voo à digna posição de ‘estadista’ do Mundo… Como conseguem ser tão pequenos?

Corrupção Endêmica
Oneração Fiscal
Sistema Político Falido
Corporativismo
Gestão Fraudulenta

Sabe-se que algumas pouquíssimas instituições públicas de ensino, aqui e ali, estão em excelentes condições de asseio e manutenção. Algumas contempladas com tablets e outras tecnologias, atendendo uma parcela ínfima da população brasileira. Não queira o Governo achar que pode ludibriar a nação com imagens desses parcos exemplos. Sabe-se ainda que algum esforço financeiro vem sendo desprendido na capacitação de professores e gestores, a nível de pós-graduação inclusive, ao longo de mais de dez anos. Pois bem, onde anda esse pessoal? O que está sendo feito de todo este grandioso investimento?…

Tudo a serviço de alguns poucos, que só sairão quando nosso povo tiver uma Educação Digna… Sigamos em frente…

Dilma





Alderico Costa e o Teatro…

27 03 2013

Neste Dia Mundial do Teatro, uma singela e, pra mim, inevitável homenagem ao meu querido e saudoso pai, ALDERICO COSTA (1919 – 1982), que teve no Teatro seu reduto maior, sua paixão mais avassaladora, sua arte.

Alderico.Um Século.de.Glória
Os textos abaixo são de autoria dos que fazem o TAP – Teatro de Amadores de Pernambuco, ao qual estou também afetivamente ligado. Recomendo a todos acessar o site do TAP > http://www.tap.org.br/htm/elenco/A/aldericocosta.htm e conhecer uma das mais impressionantes histórias sobre a Arte Teatral Brasileira, protagonizada por este mais antigo grupo de teatro amador das Américas, com mais de 70 anos de atividades.
Alderico.A.Primeira.Legião
Saudades…

“Alderico Costa – Um dos fundadores do Teatro de Amadores de Pernambuco. Personalidade marcante na vida do Teatro de Amadores de Pernambuco. Oriundo do Grupo Gente Nossa, estreou na peça “Primerose”, de Robert de Flers e Gaston de Caillavet, no papel de Visconde de Layrac no dia 14 junho 1941, com direção de Valdemar de Oliveira, passando a se constituir num dos mais importantes atores do Grupo. Atuou também como diretor em “No sex, please” um dos seus últimos trabalhos no Teatro de Amadores de Pernambuco. Seus filhos e netos são continuadores de sua dedicação e amor ao TAP.
Alderico.A.Comédia.do.Coração

alderico.UM.DIA.DE.OUTUBRO
Alderico Costa tomou parte em mais de 30 espetáculos destacando-se nas peças “Uma mulher sem importância” – “O processo de Mary Dugan” – “Alto mar” – “A comédia do coração” – “O homem que não viveu” – “A dama da madrugada” – “Um dia de outubro” – “Planície” – “O homem da flor na boca” – “Nossa cidade” – “Um século de glória” – “Arsênico e alfazema” – “Do mundo nada se leva” – “Sangue velho” – “Massacre” – “A primeira legião” – “O que leva as bofetadas” – “Uma morte sem importância” – “Bodas de sangue” – “Panorama visto da ponte” – “O pagador de promessas” – “Armadilha para um homem só” – “T.A.P. Ano 25″ – “Mundo submerso em luz e som”. Seu último papel foi em “A morte do caixeiro viajante”, de Arthur Miller”.
Alderico.A.Morte.de.Um...

Alderico.Sangue.velho
Alderico começou jovem no Teatro. Foi excelente “ponto” no “Grupo Gente Nossa”, conjunto lançado há muitos anos (década de 30), pelo inesquecível homem de Teatro, o pernambucano Samuel Campelo. Na Samuel Campelo, a esplêndida semente que havia de germinar na magnífica realidade do Teatro de Amadores. Alderico com sua bonita voz de barítono figurou, muitas vezes, em operetas, quando esse gênero teatral teve sua fase de sucesso, no Recife e no Brasil. Sempre amigo de Valdemar de Oliveira e de Samuel Campelo, tornou-se, ao longo de sua trajetória artística, uma das mais expressivas autoridades em matéria de Teatro. Ator de grandes possibilidades impôs-se como ensaiador. Dirigiu vários espetáculos no Recife e atravessou fronteiras, ensaiando em Salvador, o Teatro de Cultura da Bahia, com relevante êxito. Foi um especialista em maquilagem. Todas as caracterizações do Teatro de Amadores estavam, sempre, a seu cargo, constituindo-se, tal fato, um dos pontos altos das “performances” do TAP. Em temporadas, fora do Recife, sempre se sobressaiu, principalmente no papel do atormentado “Montserat”, de “Massacre”, e no de “Dr. Einstein” de “Arsênico e alfazema”, papeis de difícil composição. Temperamento sempre igual, disciplinado, com admirável espírito de colaboração e coleguismo, foi, o colega número um do elenco. Profissionalmente, foi funcionário de alta categoria da Agncia de Vapores ^More McComack Lines, no Recife”.

Meu pai sempre foi um homem de muitos amigos. Dentre aqueles ligados ao Teatro, Dr. Reinaldo de Oliveira, mais que um amigo, eu sei, um irmão de meu pai e de todos… Médico, dramaturgo, escritor, ator, diretor de teatro, atual Superintendente do TAP e filho do saudoso e ilustre Valdemar de Oliveira, idealizador dessa obra impressionante.
Artigo de Reinaldo de Oliveira no Diário de Pernambuco de 01 de junho de 1982.
Quando da morte de Alderico Costa
Cinema/Artes
Reinaldo

(…).
“Ele não gostaria que eu escrevesse isto. Não era do seu feitio. Recolhia-se, sempre, na humildade, nada pedindo, nada exigindo.
Enfrentou no último ano de vida, a doença. De frente. Abatido por suas conseqüências e pelo tratamento, tornou-se uma sombra física de um passado exuberante e bonito. Assim foi na mocidade. Assim era, no palco. Sua voz fez inveja a qualquer ator. Sabia articular como ninguém e as palavras saíam vestidas de veludo, adocicadas, envoltas em pêlos de arminho. Como ele era, aliás.

Alderico.Panorama.Visto.da.Ponte

Alderico Costa começou como ponto no antigo Grupo Gente Nossa, com Samuel Campelo e Valdemar de Oliveira. Daí para ator, não demorou. Fez papéis de galã, centros nobres, velhos, cômicos, e, como se não bastasse, era caracterizador. Conhecia bem os segredos do palco. Do cenário à iluminação, da contra-regra à direção.
Quando o Teatro de Amadores de Pernambuco abriu lugar no tempo, em 1941, Alderico passou a integrá-lo. Foi em ‘Primerose’ e, logo após, em ‘Mulher sem importância’, de Oscar Wilde. Não mais se afastou. Se não tomava parte na representação, realizava as caracterizações. Os mais antigos não se esquecem de suas criações em ‘A Comédia de Coração’, de Paulo Gonçalves, como ‘Ciúme’ em ‘Instinto’, de Kistemaeckers; em ‘Do Mundo Nada Se Leva’, de Kauffman; em ‘Arsênico e Alfazema’, de Kesselring, num de seus maiores papéis cômicos: Dr. Einstein.
Enquanto enfrentava o público do palco, dirigia vários grupos da cidade: o dos ‘Ex-alunos maristas’, de Padre Afonso Haus; o de Teatro de Comédia do Recife, de José Carlos Cavalcanti Borges onde encenou várias de suas peças – ‘O Poço do Rei’, ‘A Comédia de Balzac’, ‘Tempestade em água benta’. Por dominar o idioma inglês foi convidado para montar um espetáculo naquela língua, com os estudantes da Sociedade Brasil-Estados Unidos. Levou ao palco do Santa Isabel ‘O Diário de Anne Frank’. Talvez excetuando ‘Nossa Cidade’ e ‘Sonho de uma Noite de Verão’, respectivamente de Thornton Wilder e Shakespeare, aqui representados pelo Teatro de Estudante de Minessotta, foi o único espetáculo em inglês, nas últimas décadas no Recife. Ao lado de seus sucessos como diretor, continuava suas magníficas criações. Quem não se lembra do ‘Montserrat’ de ‘Massacre’, de Emanuel Robles? Ou do padre, de ‘Pagador de Promessas’? No advogado de defesa de ‘O Processo de Mary Dugan’ ou em Scrubby, de ‘Alto Mar’, Alderico mantinha um nível impecável de representação. No ‘O Homem com a Flor na Boca’, de Pirandello e em ‘Sangue Velho’, de Aristóteles Soares e Valdemar de Oliveira, Alderico passava do trágico ao homem rude, do campo, com toda a propriedade.
O que mais impressionava não eram as suas criações. Era ele próprio, como criatura humana. Não é a morte quem dita suas qualidades. Somos nós, seus companheiros do Teatro de Amadores de Pernambuco, acostumados a chamá-lo de ‘Chapa um’, tal o costume de ser o primeiro a chegar em qualquer ensaio; são seus companheiros de representação com quem se mostrava de absoluto respeito, jamais vaidoso a ponto de prejudicá-los; são os amigos que viam nele o elemento pronto a apaziguar, a atenuar as arestas.
Funcionário exemplar, ocupou até a morte, altos cargos em companhias de navegação. A Moore Mac Cormack serviu-se dele, mais do que ele dela. Tinha orgulho de conversar sobre ‘os nossos navios’. Correto, responsável, competente. Sua participação no elenco do TAP era sempre motivo de prazer. ‘Negão’ como o chama Walter de Oliveira; ‘Johnny’, apelido carinhoso, ligado a ‘Arsênico e Alfazema’, quando vivia a acalmar o indócil ‘Jonathan’.
- Johnny, Johnny, tenha calma. As duas velhinhas ganharam de você. Você matou doze e elas, treze…
Ou ainda, ao voltar do porão onde descobrira cadáveres, piedosamente enterrados pelas Tias Abby e Martha:
- Johnny, Johnny, lá em baixo, no porão…
Quando o visitei, semi-comatoso, tive a certeza de que o via pela última vez. Não sei se me reconheceu. Essa verdade ele levou consigo. Minhas últimas palavras foram – ‘Tchau Johnny’.
Parecia ouvir o texto final de ‘Linda’ em ‘A Morte do Caixeiro Viajante’, último papel que representou, já ao lado do filho, Rogério, a quem legou o talento.
- Por que você fez isso?

Alderico.Arsenico

O derradeiro espetáculo do TAP, no Teatro Valdemar de Oliveira, antes do incêndio, foi ‘No Sex, Please’. Ele o dirigiu. A primeira e última direção, no Teatro de Amadores. Recorde de assistência e de bilheteria.
Fechou-se o velário do seu tempo.

Obrigado, Johnny!”

Reinaldo de Oliveira





O Prefeito…

20 03 2013

O Prefeito… Por Tota Maia – Recife-PE)

Tota

Era tão distante, que o vento fez a curva e se perdeu. No centro, a praça da igreja matriz com suas árvores perfeitamente podadas em formato retangular, distribuídas simetricamente em suas laterais. À frente, na única rua asfaltada, um “out door” anuncia a chegada com os singelos dizeres: “Bem-vindo a Jurimpeba do Norte, terra da felicidade“ (se fosse do sul, poderia ser uma besterinha melhor). No canto, e em letras quase imperceptíveis, o mershandising: coca-cola: breve, o que será?
Era de primeira. Se o cidadão passasse a segunda marcha, terminava a cidade. A prefeitura situava-se à direita da matriz e o prefeito, orgulhoso de sua administração, estava sempre à rua cumprimentando os eleitores. “O pouco que nós tem, foi nós quem fez”, repetia de maneira autômata.
Em reunião com o secretariado, mal deixava seus assistentes falarem e se postava acima do bem e do mal.
Certa vez decidira construir uma ponte para interligar “os dois paraísos norte jurimpebanos”. Indagado pelo secretário de obras da real necessidade da encomenda, já que o rio era diminuto demais para tamanha construção, esbravejou:
– Uma coisa de cada vez. Primeiro eu construo a ponte. Posteriormente resolvo o problema do rio!
De pouca instrução, gostava de usar a primeira pessoa do plural acompanhado de um verbo no singular.
– Nós “vai fazer” aquela cacimba “mode” resolver o problema da falta de água… Nós “vai fazer” aquele cemitério para que é pra “mode” as pessoas “morrer” em paz… Nós “vai fazer” muitas obras, que é pra “mode” dá trabalho para todo mundo…
O secretário da educação, em voz baixa, o corrige:
– Prefeito, emprega o plural, emprega o plural…
– Não emprego o plural de jeito nenhum, que ele não votou em mim!
Baixinho, barrigudinho, olhos caídos, testa proeminente, e um cabelo religiosamente penteado para trás com gomalina que acentuava suas orelhas de “abano”, possuía um bigode farto que mal se percebia a boca. Sempre de paletó de linho branco de um número superior, coçava sempre a sua Mirabel (era assim que batizou a sua dita cuja) revelando uma eterna “chanha” mal curada. Preferia ser chamado por “Seu Raimundinho”, porque o diminutivo transmitia mais intimidade junto ao povo.
Metido a ser o único correto, Raimundinho possuía uma falha grave aos olhos dos mais pudicos. Pelas madrugadas, gostava mesmo era de se enroscar com as “quengas” do “Sul Drink’s”, da Dona Edileusa. Era daqueles clientes indelicados, que a todas soltava uma grosseria.
A Daphany Jakelinny – que possuía uma perna mais curta – não suportava mais a mesma gracinha…
– E aí pernetazinha, está cuidando do anel de ouro?
A Dorothy Rhanierry – que oxigenava suas madeixas – nunca escapava…
– Galega de água doce, deu um peido e “se” cagou-se. Ei galega, porque vosmecê lá em baixo “é” morena?
A linda criola Scarleth Katharinny não disfarçava o desconforto… (porque será que nossos nomes agora, sempre são estrangeirados e termina com a letra ipsilone?),
– Nega do cabelo duro, que não gosta de pentear… E aí negona, já passou o ferro no bombril hoje?
Todas o detestavam, não só pelos insultos. A queixa maior era que nunca pagara um “programa”. Na certeza que “agradava” suas “amiguinhas” – como gostava de chamá-las – trazia sempre consigo um indesejado presente. Perfumes vagabundos e mal cheirosos, calcinhas já com um furo no local apropriado, perucas de cabelos artificiais e extremamente lisos, enfim, nada que possuísse o mínimo de utilidade.
Em um ato de desespero, a meninas resolveram escrever uma carta para exigir o pagamento “em dinheiro” para os “serviços” prestados. Sim, uma carta, lembra o que é? Pois é, lá em Jurimpeba do Norte a internet é coisa do futuro.
O desafio era que as meninas não sabiam como chamá-lo na missiva.
Seu Excelentíssimo Prefeito…
– Está muito sério para aquele ”autário”, exclamou Daphany Jakelinny!
Eminente Prefeito…
– Piorou, e aquele sujeitinho tem alguma eminência, disparou Scarleth Katharinny !
A Edileusa – que escutava o entrevero à distância – com a autoridade dos decanos, resolveu intervir:
– Me dá aqui esse troço que eu resolvo agorinha “mermo”…
Pegou a caneta, o papel, e estampou, em letras garrafais, a seguinte introdução:
MEU QUERIDO FILHO!





Cabelos Cristais…

11 03 2013

Gelo

Olhando em volta, e vou bem longe…
Revoar de estrelas, encanto da dor,
Velejam sonhos em velas insones,
Alforje insano repleto de amor.

Respingam em mim cabelos cristais,
Exalam desejos e lágrimas banidas,
Correm os campos, amores e tais,
Bebo o sublime em teus lábios temidos.

Bailam nos campos a relva a florar,
Amarela é a tez da terra verde, meu manto,
Cama perene, suada e desfeita
Por fagulhas sementes desse teu olhar.

Em calda temos pranto e maldade,
Flerte maduro riscando meu ser,
Ásperas mãos, infelicidades,
Querem de mim mas nunca vão ter.

Fizeram do mundo o dardo do não,
Quiseram dizer-me até onde ir,
Tentaram julgar o que faço no chão,
Como se eu não estivesse a fingir.

É tênue o revelar de toda uma vida,
Folhas secas planando e chorando ao cair,
Eventos mais, muitos nunca descritos,
Jogo de chegar, amar e partir…

Gelo2





Pisca que é de uva!

9 03 2013

Bêbado
Prestenção! Lá vem, de novo, a discussão sem fim sobre a conhecida e atual Lei Seca, que vem fazendo sucesso, mas que, também, tem ocupado tanto espaço de mídia e nosso precioso tempo que já não sobra esse tal tempo nem pra beber e nem pra dirigir, razões de ser desse pagode, verdadeiro samba do crioulo doido.
Tramita agora novo parecer da Procuradoria Geral da República exigindo respeito à Constituição que diz ser ilegal o Estado promover a “autoincriminação”, ou seja, não pode ser punido o motorista que se negar fazer o teste do bafômetro. DE NOVO o vai e vem decisório que embriaga a gente mais do que uma mesa de bar.
Pra mim chega! Vou fazer o que é certo, dentro da Lei, entenderam? Se não entenderam, também não tem problema nenhum, afinal, até o Judiciário tá “balançando feito bala na boca de velho”, quando o assunto é Lei Seca. Aliás, que nome mais feio esse – Lei Seca…! Podia denotar algo referente à mulher seca, seja porque não vinga menino, seja por que não treina mais pra ser mamãe. Talvez denotar a legalização da tão aclamada “Indústria da Seca”, que tanto ajuda nosso sertanejo a criar belas e tórridas imagens de seus quintais, entre uma e outra sopa de calango ou caco de pedra calcária, roída aos poucos, mas que é uma delícia – entenderam? Se não, também não tem problema nenhum, já que você não faz parte desse mundo periférico, mas bebe, ah isso você faz sim! Certo? Não sabe? Eu também não sei. Deixa os homens e mulheres da capa preta discutir pra lá que o negócio da gente aqui é beber, dirigir, pagar multa, mico e aqui e ali atropelar alguém – não necessariamente nessa ordem -, detonando o futuro de uma família inteira só por que quer demorar pra chegar em casa e dar de cara com ela, sempre ela, a mesma, a essa altura bebinha, bebinha, enfeitando um cinzeiro com bicota de cigarro, enquanto ouve Chiclete.
Luz1
Oh, povo sem criatividade… Penso que poderiam ter criado um chip dentro de uma cápsula que, localizado no estômago, medisse a quantidade de álcool ingerida e emitisse ao sistema nervoso essa informação. O motorista que, desde que renovou sua habilitação recebeu uma injeção de uma espécie de contraste ficaria colorido – isso mesmo – furtaria a cor da cabeça aos pés, tipo: cor verde para vinho, licor, vermute; vermelho para whisky, cachaça, gim, vodka e por aí vai. Vejam que dessa forma o sujeito ao ir ao WC já teria uma boa noção de seu grau de embriaguez, que poderia ser medido através de piscar luminoso na cor da bebida que ele está bebendo. Então, o cara tá no trânsito dirigindo bêbado, mas todos sabem de longe – aquela beleza toda verde ou toda vermelha, parecendo o satanás. Não precisa nem o policial, numa abordagem, tentar verificar outros sintomas clássicos de embriaguez como, a fala arrastada e os olhos vermelhos, já que o cara pode ser um ator profissional ensaiando um novo espetáculo. Pode funcionar sim. Imaginem um grupo de amigos numa mesa de bar e daqui a pouco um deles começa a piscar os olhos verdes ou vermelho: “Ou para de beber ou me dá a chave”! Já domina o colega ou a namorada.
Luz2
Sei no que você está pensando: “Ah, e se a pessoa misturasse vários tipos de bebida?” Sinceramente, o que você tem contra as cores do arco-íris? Que mal há em mostrar um olhar verde e o outro vermelho enquanto o pescoço tá azul? Seja criativo! Na verdade, se todos nós estivéssemos, ao invés de esquentar os miolos em busca de alternativas para burlar a Lei Seca, tentando descobrir a conta bancária do guarda ou abrindo trilha nos terrenos baldios dos outros, fôssemos um pouco mais criativos, a coisa já estava mais acomodada. Sendo impossível corrigir o tão famigerado hábito de beber, tão competentemente estimulado e exemplificado pelos nossos queridos pais, professores e irmãos mais velhos, resta-nos o rigor da Lei. Uma pena… A mulherada ia começar a aparecer com todo tipo de cor, alguns chips podiam permitir acender apenas os cabelos ou, na praia, as partes infelizmente cobertas pela maioria das mulheres. Depois, no motel, os neurônios agitadíssimos pelos jogos do amor iriam criar efeitos tão geniais que poderia até fazer reduzir o consumo de algumas drogas quase nunca detectadas pelos bafômetros de meu Deus. Fácil pensar numa tecnologia dual chip, etc. Em fim…
Já estou vendo o mico: o guarda para você na Blitz, vê você todo colorido e tentando manter alguma articulação ao dizer, “Seu guarda, acredite, meu chip está com defeito! Eu não sabia que havia quebrado.” Ao que o guarda responde: “Certo, amigo – PISCA QUE É DE UVA !”





PETROBRÁS – esse índio quer é apito !

7 03 2013

Plataforma3

Então, temos estampada na cara da classe política brasileira do que ela é capaz quando a questão é olhar para o próprio umbigo. Esqueçamos qualidades como, espírito público, noções de integração nacional, consciência de nação e muito menos bom senso. Quando o assunto pega no bolso, na sensação de posse econômica, quando se fala de cacife político e todo o prestígio que daí advém, eis que nos deparamos com essa endêmica miopia política de muitos políticos que nosso povo elege.
A despeito do que está escrito na Lei, quanto ao que cabe, por direito, a cada unidade federativa, referente à exploração de certas riquezas, como o petróleo – assunto em pauta no Congresso e Câmara Federal -, é preciso que se olhe a questão com olhos de brasileiro, de Nação Brasileira, de povo brasileiro e não como se apenas cariocas e capixabas fossem os atores envolvidos no processo. A discussão, neste momento, supera sentimentalismos, regionalismos e interesses pessoais em favor de um projeto de futuro para a Nação Brasileira. A forma como alguns deputados têm se expressado na tribuna e corredores denotam outras exigências de caráter privado, iluminam o campo dos interesses obsequiosos de alguns poucos e espertos em detrimento do todo maior chamado Brasil.
PLATAFORMA PETROLEO1
As riquezas do território brasileiro são do Brasil, senhores deputados! A Lei que rege as relações entre a União, as unidades federativas, municípios, empresas e pessoas envolvidas na propriedade ou exploração dessas riquezas PODE e DEVE ser alterada em favor de uma maior justiça social. A prospecção e exploração de petróleo ou jazidas de minério, entre outras riquezas, estando localizadas num determinado estado ou município, na realidade usa tecnologia, mão de obra e verbas de investimento da Nação Brasileira, do povo do Brasil. Os bilhões de reais concedidos à Petrobrás, por exemplo, para investimento e custeio de sua atividade, uma prática de décadas e décadas, por acaso foi cobrado apenas do Rio de Janeiro e Espírito Santo ou de toda a Nação? Por acaso querem tratar um tema como esse como fazem sobre o Futebol Brasileiro, cheio de facciosismos, vícios e não pouca bandidagem?
Plataforma2
Alguém pode explicar ao Brasil por que esses mesmos deputados não de descabelam e se agridem em público, frente às câmeras de TV do mundo para combater a miséria, o crime organizado e a ignomínia política que campeia o país? O fato é que não descansam seus conchavos lobísticos, usando o judiciário, a imprensa e empresários, até comprometerem a imagem do nosso legislativo perante a opinião pública mundial, e isso se dá pelo enorme volume de dinheiro que a Petrobrás representa. Acorda Brasil!
O ex-presidente Lula(PT) bem soube usar a seu favor a propaganda do pré-sal, mas foi omisso e irresponsável perante a Nação empurrando com a barriga a discussão do tema até entregar o pepino a sua sucessora Dilma Roussef. Perdeu ótima oportunidade de vestir-se de estadista para calçar simples sandálias eleitoreiras. A presidente Dilma segue no mesmo caminho, expondo ao mundo essa espécie de idiotice político-administrativa que trava as engrenagens do país, somente com pensamento nas próximas eleições. Na verdade, toda a classe política do país, anterior ao PT e de agora, se exime de maior responsabilidade quando permite esse vexame de alguns mal educados deputados a berrar impropérios aos ventos e usando até de alguma truculência, para não dizer violência em defesa de interesses escusos.
PETROBRAS - EDISE - Rio de Janeiro
Entendo a fraqueza humana diante dos números financeiros que permeiam as relações de uma empresa como a Petrobrás. É realmente preciso ser muito homem e muito gente para tirar os olhos da calculadora e colocá-los nos 200 milhões de brasileiros que deram e ainda dão muito de si para criar e manter esta empresa, inclusive seus desmandos, desperdícios, vícios e excessos representados pelos altos salários de subterrâneos conselheiros que mal pisam lá. Isso sim devia estar sendo denunciado aos gritos e de bandeira em punho em favor de alguma dignidade política neste país.

Pra mim está na cara: na verdade esse ÍNDIO QUER É APITO !





Hugo Chavez e o populismo

6 03 2013

Que Deus o tenha e seus familiares e amigos fiquem em paz.

HugoChavez
Com a morte de Hugo Chavez, presidente da Venezuela ao longo dos últimos 14 anos, alguns perdem um amigo, pai e companheiro; muitos perdem uma liderança regional e outro tanto perde um político que marcou a História da América do Sul.
No entanto, à luz do que se pode ouvir e ler a respeito das mudanças na sociedade e economias venezuelanas, o sentimento pode ser de alívio, dado o peso negativo que se pode entrever numa superficial observação da realidade de hoje na Venezuela.
Chaves foi populista, vaidoso e egocêntrico sempre muito ligado nos holofotes do mundo, à custa de falsos discursos usados para manter coesas suas bases eleitorais. Esbanjou incoerências e beirou o ridículo em vários momentos, como se estivesse acima de tudo e de todos, parecendo convencido de que o mundo o seguia e às suas ideias. Para tanto, insurgiu-se contra o gigante EUA em frente às câmeras enquanto viabilizava o aumento das importações junto aos americanos. Incitou várias vezes os vizinhos sul americanos à violência e à arrogância, apoiou e prestigiou ditaduras inconsequentes de hoje, como a de Cuba dos irmãos Castro. Apoiou politicamente as estatizações e repatriações de multinacionais instaladas tanto na Venezuela como na Bolívia e Equador, além de descumprir acordos iniciais com o Brasil, como o caso da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, entre outras ações pouco recomendáveis.
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Chamou atenção a maneira como conduziu a política eleitoral de forma a viabilizar sua permanência no poder, manipulando a constituição de seu país e, conforme notícias/boatos a serem melhor investigados a partir de sua ausência, burlou resultados a seu favor. Por muito pouco Hugo Chavez não protagonizou a volta do caudilhismo e militarismo que marcaram o rosto da história política sul americana.
Também fica evidente o recurso de mídia do qual fez uso principalmente a respeito da realidade econômica da Venezuela sob seu comando. Se, de fato, ao longo desses 14 anos promoveu alguma redução da miséria e pobreza do seu povo, através de ações que promoveram transferência de renda, na verdade o fez sem uma base de sustentação confiável. Os recursos utilizados nessa praticamente única ação de governo de impacto social são oriundos exclusivamente do aumento dos preços do petróleo. Sendo grande produtor dessa riqueza, a Venezuela, historicamente, tem nessa atividade sua única fonte de sustentação econômica. Não tem força na pecuária, na agricultura, nem em produtos manufaturamos e muito menos na indústria ou serviços. Quase tudo é importado especialmente dos EUA, Brasil e outros parceiros comerciais. Apesar de sua economia ter triplicado sob seu governo, saindo de algo em torno de US$ 90 Bi para atuais RS$ 280 Bi, tal crescimento é apenas reflexo do grande aumento dos preços do petróleo no mercado internacional. Ou seja, na verdade, praticamente nada foi feito pelo governo Chavez para desenvolver a economia do país dentro de padrões mínimos de sustentabilidade. Uma pena, quando vemos imagens das riquezas e alegria do belo povo venezuelano.
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Com uma população de pouco mais de 29 milhões de habitantes – 4 milhões na capital Caracas -, apesar de um solo fértil, longa linha litorânea para o Atlântico, fazendo fronteira com Colômbia, Brasil e Guyana, não se ouve falar de uma grande marca famosa genuinamente venezuelana, menos ainda de uma Indústria turística de destaque, apesar da proximidade com o Caribe e América Central, não se conhece nenhum destaque na música, nas artes em geral, em fim, predomina a imagem de um país de duas caras: uma minoria riquíssima, outra muito pobre e Hugo Chavez agora morto, a PDVSA(petrolífera) e nada mais.
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Certamente, posso estar cometendo grandes injustiças com o povo venezuelano, principalmente, porque escrevo essas linhas sem a desejável autoridade de quem visitou e conheceu in loco o cotidiano e a realidade naquele país. Reforço que produzo um conhecimento apoiado na leitura de notícias sobre o tema, além das reportagens televisivas sobre o que ocorre por lá. Também, acompanho há alguns anos alguns perfis de mídia social de alguns jornais e ativistas venezuelanos, suficientes para criar necessário contra ponto à grosseira propaganda oficial que tanto caracterizou o governo de Hugo Chavez. Imagino que seja um país com grande potencial de crescimento, com uma boa parcela do seu povo bem formada e esclarecida, onde existem maravilhas ambientais, excepcionais ícones da ciência e da cultura mas, por que será que nós brasileiros minimamente informados não temos acesso ou tomamos conhecimento dessas virtudes? O Brasil conhece um pouco disso, quando viveu e ainda vive sob o preconceito da maioria dos países ricos, apesar de possuir enormes riquezas e uma cultura incrível do ponto de vista de sua pluralidade, situação que vem mudando rapidamente nas últimas décadas.
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Uma outra fase da vida política da Venezuela tem início agora, sob os olhares atentos de muitos outros países, principalmente, aqueles dependentes do petróleo ali produzido, mas de forma especial em busca dos caminhos institucionais que esse belo país que é a Venezuela irá trilhar no curto prazo.








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