Bolsa Família x Bolsa Crítica

5 02 2014

Medusa

Eleições 2014 chegando e a artilharia começa a ser preparada para o tradicional festival de sandices, mentiras e difamações – algumas até justas e cabíveis. Em suas tricheiras, candidatos, partidos políticos, a mídia e, por que não dizer, os eleitores. Trincheira é um bom nome a indicar a situação vexatória na qual o eleitor, principalmente, é colocado, sem que possa quase nada fazer a não ser enfiar o dedo na urna em busca de alguma luz no fim do túnel. O festival é de farpas, ironias, empolações discursivas, elucubrações e muitas mentiras, algumas institucionalizadas, parecendo que, sem elas, as eleições não teriam graça ou desgraça..
Um dos temas mais “curtidos”, há anos, seja em busca de seu verdadeiro pai, seja de adequada compreensão sobre tal é o Bolsa Família. Podem prestar atenção: quase ninguém está preocupado com metas e objetivos do programa e seu alcance social, por exemplo. O negócio é quebrar o pau, a essa altura nem se sabendo mais ou importando em quanto, em quem e até mesmo em que, já que perdeu-se a noção de quem teriam sido os mentores, os primeiros a pensar em algo assim. É como os temas Economia Brasileira ou Seleção Brasileira, onde 200 milhões de brasileiros, inclusive os recém-nascidos, parecem ser pós-graduados e especialistas a ponto de expelir litros e litros de saliva e escárnio contra governantes, técnicos e gestores, numa velocidade incrível. E, pasmem, todos tem razão…
Não é o caso aqui de debulhar todo o pacote de dogmas e premissas que inspiraram o programa do Bolsa Família. Até onde sei, através de algumas leituras ao longo de anos, suas origens estão nos idos Anos 80, a partir de ações isoladas, aqui e ali, em busca de tentar resolver problemas de estrema gravidade relacionados à fome de importante parcela da nossa população – coisa de conhecimento geral. Há quem diga que pelos idos de 1994 o PSDB, em algum lugar, havia pensado algo parecido. Mas lembro de algumas defesas anteriores em Brasília a um tal programa da Merenda Escolar, depois, algumas adaptações e contribuições, evoluindo para aquilo que sociólogos chamam de programa de primeira, segunda e terceira geração, talvez já a décima, pouco importa e por aí vai ou foram. A ideia primordial de tudo estava em que, dado o montante de recursos em questão, tais programas não virassem mera moeda de troca eleitoreira, desperdiçando bilhões em recursos de um país subjugado pelo FMI e outros à época – um avanço para o bem -, o que justificava a vinculação do benefício, por exemplo, à frequência escolar, num esforço coercitivo a bem dos objetivos propostos. Claro que estavam ou ainda estamos, de alguma forma, tapando o sol com a peneira, num esforço de compensar a incompetência e ignomínia da classe política brasileira em resolver problemas sociais prementes como a fome, o analfabetismo, a saúde e a injusta distribuição de renda de milhões de pessoas, num país rico, em pleno século XXI. Que seja. No meu particular, costumo brincar com a ideia de que, ante um problema aparentemente insolúvel, “aquilo que não tem solução sem solução fica”…, mas quando se trata da coisa pública aprendi, bem aprendido, que a responsabilidade de cada um muda em favor do outro, a bem da coletividade e por aí vai. O fato é que o tempo passou, tais programas foram encampados por municípios, estados, União, para isso e para aquilo, depois foram sendo aglutinados em uma única proposta que contemplasse ao mesmo tempo objetivos na área da educação, inclusão social, combate à fome, etc. Tinha antes e tem lógica hoje –diga-se – o saco de gatos denominado bolsa qualquer coisa diante da volúpia de cada governo em abrir e fechar ministérios e secretarias em cada esfera de poder, ao longo das duas últimas décadas, o que certamente enlouquecia e enlouquece qualquer razoável esforço de controle dos recursos e ações de cada programa. Vejam que, neste momento, a Presidente Dilma insiste em necessitar de 39 ministérios e isso parece poder dobrar a qualquer momento em nome de certos pragmatismos político – partidários.
Então, aparecem os críticos de plantão usando aviões tucanos, outros petralhando a tudo e a todos, outros usando largos sorrisos contra o povo, evitando a todo custo os espelhos do dia a dia… Danem-se todos!
De forma que, diante de 200 milhões de técnicos da seleção política brasileira, incluindo os fantasmas das obras – digo óperas – resta-nos implementar o Bolsa Crítica, outro saco de gatos com jeitão brasileiro. Em linhas gerais, promete que todas as críticas serão verdadeiras e aceitas, por alguns minutos que seja. Mas, para ter direito ao programa, cada interessado precisa ter um parente em cargo comissionado, gozar de isonomias salariais diversas, de estabilidade em pelo menos um emprego público e considerar-se exposto às leis trabalhistas e fiscais sem reclamar. Também, não pode alardear que, se veio à falência, isso teve a ver com a política econômica em vigor, se puder definir e especificar qual é ela…

Em tempo…, como a própria vida, todo projeto precisa ter, no mínimo, começo, meio e fim.
Que todos os Deuses se deem as mãos e consigam influenciar alguns capetas tupiniquins a entender que o fim do projeto se dá com sua conclusão e não com sua interrupção, antes da conclusão…, se é que me entendem…

Ainda: por favor, continuem encontrando meios de melhor DISTRIBUIR RENDA neste país…

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