Kiril e Francisco: da ficção à realidade

23 02 2015

Por  Rubens Pinto Lyra (*)

KIRIL E FRANCISCO: DA FICÇÃO À REALIDADE

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A eleição do sucessor de Bento XVI surpreendeu o mundo. O escolhido foi, pela primeira vez, um sul-americano, que tem tudo a ver com o perfil mudancista do atual Papa.  Apesar de seu pouco tempo de Pontificado, Francisco é reconhecido por todos como líder religioso reformista. Não obstante, há uma insuficiente compreensão de que a escolha de um Papa com o perfil do atual Pontífice não é, essencialmente, fruto do seu carisma, inspiração divina, ou do acaso. Nem de uma mera jogada oportunista, adredemente calculada, de quem entroniza um papa moderno apenas para legitimar-se perante os seus milhões de fieis. Ao contrário, tal escolha expressa – e ao mesmo tempo, reforça – uma nova correlação de forças no âmbito da Igreja Católica, na perspectiva da consolidação de outra hegemonia.  Destarte, essa multissecular instituição demonstra, mais uma vez, capacidade de absorver os anseios de renovação, provenientes de seus milhões de fieis, conditio sine qua non de sua própria sobrevivência.                                                                                                                                                               Nesse sentido, a evocação de uma obra de ficção, de autoria do notável escritor australiano, Morris West, As sandálias do pescador, escrita em 1963 é, sob todos os aspectos, reveladora. Ela ajuda a compreender como o comportamento e as posições veiculadas pelo Papa Francisco constituem uma projeção daquelas que foram postuladas e vividas, nos anos sessenta, por Kiril Lakota, principal personagem do best seller de West – protagonizado  no cinema pelo  famoso ator Anthony Quinn. Kiril era um prelado ucraniano que foi nomeado cardeal in pectore (secretamente) pelo papa, quando cumpria condenação a trabalhos forçados em um campo de concentração do regime stalinista. Tão logo libertado, os seus pares, com a morte do então Papa Pio XII, o escolheram para ocupar o trono de Pedro. São impressionantes as semelhanças entre Kiril e Francisco. Ambos, outsiders, praticamente desconhecidos fora da Cúria Romana, foram eleitos, surpreendendo a todos, para suceder papas conservadores, em momentos em que a Igreja Católica precisava aproximar-se do “comum dos mortais”. Com efeito, a primeira característica do Papa Francisco é a sua simplicidade e seu poder de comunicação , conforme demonstrado nos gestos simbólicos que praticou, quebrando o protocolo e misturando-se às massas.  Já Kiril, o papa russo fictício, ostentava o mesmo comportamento.  Uma das cenas mais marcantes do filme sobre esse papa mostra que, tão logo eleito sucessor de Pedro, escapa secretamente da residência papal para passear anônimo nas ruas de Roma, buscando, nos contatos com o homem do povo, quebrar o isolamento imposto pela hierarquia do Vaticano.  Diferença abissal de comportamento – de Kiril e de Francisco – se comparados com seus antecessores, os aristocráticos Papas Pio XII e Bento XVI!                   Contudo, por importante que seja a relação pessoal desmistificadora adotada por esses Papas, as similitudes, no plano das ideias, são ainda mais notáveis e prenhes de consequências práticas. Recentemente, Francisco assumiu mais uma posição corajosa, ao aceitar como verdadeira a teoria da evolução. Claro, compatibilizando tal aceitação com a crença em um Deus criador do mundo e dos homens. O papa da obra de ficção de Morris West também simpatizava com a supracitada teoria. E isto, há mais de cinquenta anos atrás, quando reinava, inconteste, a teoria criacionista! Com efeito, além de prestigiar famoso teólogo da época, que defendia a teoria evolucionista, o Papa Kiril desfrutava de sua intimidade, tendo-o chamado para passar uma temporada na sua própria residência.  No livro de Morris West, esse teólogo chamava-se Telémond, pseudônimo dado ao famoso padre canadense, e, também, paleontólogo de renome, Teillard de Chardin. Vendo sua obra hostilizada pela Igreja, e impedido por ela de divulgá-la, Télémond  é vitimado por um ataque cardíaco e morre.  O Papa Kiril, arrasado, não teve condições de se contrapor a decisão contra ele tomada pela Congregação do Santo Ofício. Nesse mesmo diapasão, se situa a amizade que une o Papa Francisco ao teólogo brasileiro Frei Beto, um dos principais expoentes mundiais da Teologia da Libertação e, também, amigo pessoal de Fidel Castro. Da mesma linha de pensamento de Leonardo Boff, punido pelo Cardeal Ratzinger, antes de se tornar Bento XVI, com um “silêncio obsequioso” pelo período de um ano, durante o qual ficou impedido de professar as suas ideias, inclusive de publicar.                                                                                                                                 Mas foi no domínio das relações internacionais que o Papa Kiril Lakota mais demonstrou coragem no enfrentamento das forças conservadoras que lhe eram hostis, dentro e fora da Igreja, assumindo posição firmemente contrária à corrida armamentista. Em plena Guerra Fria, estabeleceu intensa interlocução com seu antigo algoz Kamenev – que havia se tornado, entrementes, Primeiro Ministro da União Soviética. Pode, assim, intermediar secretamente, com pleno êxito, o diálogo entre as duas superpotências atômicas da época– a União Soviética e os Estados Unidos, além da China – evitando que se concretizasse a ameaça de deflagração da Terceira Guerra Mundial.  Mais uma vez, impressiona a analogia, mutatis mutandis, entre a atuação do personagem de ficção de Morris West e a do papa argentino. Com efeito, a iniciativa de maior impacto político até agora tomada por Francisco foi precisamente a de aproximar dois antagonistas históricos: Cuba, identificada com o modelo soviético de sociedade e de regime político, com o seu desafeto histórico: os Estados Unidos. Essa aproximação espetacular não produziu automaticamente o fim do bloqueio de cinquenta anos a ilha caribenha, até porque o Presidente dos Estados Unidos não tem competência para fazê-lo. Mas, sem dúvida, desencadeou um processo que conduzirá ao término desse bloqueio, caso os esforços em prol da paz venham a conquistar a hegemonia no âmbito internacional.

No que se refere às questões econômicas e à crítica a ordem social injusta, reinante no mundo moderno, as posições do Pontífice fictício de Morris West, Kiril Lakota e as do Papa Francisco são muito próximas.  Kiril e Franciso elegeram como alvos prediletos de sua reflexão, a crítica à suntuosidade e ao artificialismo da Igreja, e, especialmente, ao universo fortemente hierarquizado e burocrático do Vaticano. Nesse último aspecto, o papa russo foi adiante – ainda mais, se se considera que suas propostas foram formuladas há mais de cinquenta anos.  Comprovam essa conclusão as cenas finais do filme protagonizado por Antony Quinn, já referido, nas quais o Papa Kiril Lakota condiciona a sua investidura no cargo ao apoio – que finalmente lhe é dado – à sua disposição de distribuir os bens que confere riqueza à Igreja, às “massas famintas”.  Posicionamento que nunca foi assumido por outros papas, em que pese iniciativa corajosa de Francisco, com vistas à reestruturação do Banco do Vaticano e a reconsideração dos objetivos pelos quais ele atua.  Já o atual papa avançou, como nenhum outro Pontífice, em um aspecto essencial: a crítica ao atual capitalismo.   Ele tem mostrado a necessidade de os cristãos lutarem por uma ordem econômica e social compatível com os ideais de justiça e de igualdade, negados pela busca desmedida do lucro, que constitui a mola mestra da organização econômica submetida à ordem do capital. Last but not least: não se pode deixar de se abordar a convergência das posições desses dois Pontífices, também no plano da moral. Indagado a respeito de sua posição sobre os homossexuais, o antigo Cardeal-Arcebispo de Buenos Aires respondeu perguntando: quem sou eu para julgá-los?  Este posicionamento, de per se, já produziu um avanço. Com efeito, não podendo o Papa, quem mais poderá, na Igreja Católica, fazer tal julgamento? Continua, não obstante, a predominar, no seio da Igreja, forte estigma em relação aos gays.  Pode-se, pois, imaginar o que ocorria, há mais de meio século atrás! No contexto da moral extremamente rígida da época, manuais, como Luz do Céu e outros, do mesmo jaez, enfatizavam sempre o aspecto punitivo do poder divino. Em contraste com essa rigidez, trecho do livro As sandálias do pescador, já referido, faz sobressair a postura tolerante de Kiril Lakota em relação ao homossexualismo. Este Papa, interpelado por um Ministro da República italiana, se deveria se envergonhar de suas tendências homossexuais, responde: não tendes razão de vos envergonhar. E foi além, dizendo-lhe que havia amado um homem que se foi (Jean Télémond) no espírito e na carne e disso não se envergonhava porque o amor é a emoção mais nobre da humanidade. Concluímos que, de fato, o perfil do papa russo-ucraniano se projeta no do argentino, sendo impressionantes as afinidades, quando não, a coincidência de comportamentos e de propósitos.  Francisco ainda tem muito a fazer, pois, apenas deu os primeiros passos – ainda que extremamente vigorosos – de um processo de mudanças profundas no seio da Igreja Católica Romana. Pesa contra si a idade avançada, que pode levá-lo à renúncia antes de consolidar o processo de reforma que empreende.  Mas as sementes que agora lança tem grandes chances de vingar tendo em vista que o notório esclerosamento da Igreja somente pode ser combatido com propostas, como as de Kiril e as de Francisco, que objetivam reformá-la, para que se torne mais tolerante, mais democrática e socialmente engajada.

(*) Doutor em Direito, na área de Política e Estdo (Un. Nancy, 1975) e Professor do Curso de Pós Graduação em Direitos Humanos, Políticas Públicas e Cidadania da UFPB. Autor ou organizador de 28 livros sobre temas referentes à teoria política, democracia, participação popular e socialismo.

PUBLICADO NO SEMANÁRIO CONTRAPONTO, nº 529. João Pessoa, PB, 13 a 19 de fevereiro de 2015, em versão reduzida. Será publicado pela REVISTA CONCEITOS ( nº 21, dez. 2014), editada pela ADUFPB-JP – João Pessoa, PB.





O povo o fará ! Chega!

12 02 2015

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O povo brasileiro não quer pré julgamentos – quer justiça decente e célere;

Não quer banir partidos nem instituições – quer recuperar a dignidade na política; não quer violências – quer exigir firmemente a VERDADE…

A luta é pela Democracia e não pela corrupção do povo, pelo povo e para o povo – CHEGA!

Se a classe política não o faz, há décadas, o povo o fará…





Nem tudo está perdido na Educação BR

10 02 2015

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Nem tudo está perdido na Educação Brasileira, apesar de alguns pesares. Não vou, aqui, apontar problemas e defeitos, já tão assinalados em artigos anteriores. Ocorre que alguns bons exemplos, não só nos arrebatam, como merecem ganhar a luz possível…

Era uma quarta-feira, 04 de fevereiro de 2015, à sombra de uma enorme castanholeira, ao lado de uma pracinha e em frente à Escola Municipal Frei Albino, no bairro do Bessa, em João Pessoa-PB. Como já havia notado dias antes, pela manhã, no meu caminho para o trabalho, uma cena que me fez viajar alguns 50 anos, até minha infância na escola. Não publico aqui as fotos tiradas em respeito às normas legais que regulam a exposição de crianças. Não importa. A figura ajuda bastante.

Ao ar livre, em suas cadeiras, livros, papéis e canetas a mão, 25 alunos entre seus 7 a 9 anos de idade, viajavam numa aula de interdisciplinaridades, onde meio ambiente, poesia, futuro, esperança, sonho, desejos, não sem a necessária e boa disciplina, recebiam provocações de sua professora.

Como eu disse, me veio à memória aulas inesquecíveis que tive na infância, naqueles meus 7 a 8 anos, por exemplo, no Educandário Castro Alves, no Recife-PE. Saíamos em grupos pelas ruas, a entender normas de trânsito, o que é uma rua, uma avenida, uma esquina, os semáforos, por entre o nome das árvores enormes que nos sombreavam, seus frutos, suas raízes, as flores nos jardins das casas… Já na ala de aula, mãos à obra a desenhar e pintar encruzilhadas, os sinais de trânsito, a flora e fauna que vimos, o tempo corrido e registrado em relógios coloridos que pintamos. Nunca esqueci aromas, cores, temperaturas, texturas e o carinho das professoras.

Voltando ao aqui e agora. Parei o carro, desci e coloquei-me a ouvir a aula da professora Francisca Elisa e o brilho no olhar de todas aquelas crianças. Fiz foto e me aproximei. Francisca Elisa não se intimidou, ao contrário, certa de que algo me chamava à atenção, convidou-me a explicar o que ocorria. Agradeci, apresentei-me ao grupo e, emocionado, dei meu depoimento:

“Eu gostaria de dizer a vocês que esse momento levou-me a muitos anos atrás, à minha infância, quando na idade de vocês. E posso dizer que esse tipo de aula, de momento escolar, nas condições que vejo, ao ar livre, falando as coisas que ouvi aqui faladas, nunca mais serão esquecidas por vocês”.

A História da Educação nos ensina sobre como desde tempos antigos, na Grécia ou Roma Antigas, por exemplo, os ensinamentos, a educação de um jovem se dava em ele ouvir conselhos e orientações de uma pessoa mais velha da comunidade, algo que ainda existe, aqui e ali, nos tempos atuais. Muitas vezes, a criança acompanhava seu “mestre” em longas caminhadas pelos campos, na lida do pastoreio, cuidando da lavoura ou da pesca, além da observação, na prática, de outros artifícios da época.

Sobre isso, com a palavra as crianças de hoje. O que teriam a dizer?…

Meus agradecimentos à professora Francisca e sua diretora de escola, professora Sônia Fidelis que, na luta diária por fazer florir o Jardim da Educação Brasileira, encontram tempo, humanidade e disposição em educar não só para as contas e leituras, mas para a vida dessas crianças…





O terror fez sucesso sim, mas não todo…

14 01 2015

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Os recentes ataques terroristas ocorridos em Paris, visando o prestigiado periódico chargista, Charlie Hebdo ainda estão rendendo frutos à causa dos extremistas islâmicos. Em meio ao turbilhão de repúdios, retaliações e reposicionamentos políticos e militares, pós atentado, ainda falta à intelectualidade mundial perceber qual a jogada principal, os reais e principais objetivos da facção terrorista.

Primeiramente, temos que reconhecer que as religiões não têm culpa, não doutrinam tamanha barbárie. Que, apesar de ser o Islã o momentâneo escudo usado pelos terroristas, tipo EI – Estado Islâmico, ou Al Qaeda, assumida autora do ataque recente,  não se pode simplesmente rotulá-lo(Islã) como uma seita terrorista e pronto. Antes, cabe reconhecer estar sendo manipulado em benefício dos grupos extremistas, pelo mundo afora. Poderia ser qualquer uma outra religião sendo utilizada para tal finalidade, como já aconteceu ao longo da História.

Outra verdade, bem possivelmente o ataque não foi direcionado ao conteúdo humorístico e político do Charlie ou de seus chargistas, apesar de algumas provocações deste, tanto que agiram noutro ponto da cidade, simultaneamente – num supermercado. É fato que buscaram locais e ou pessoas com grande potencial para criar o que ainda assistimos: grande efeito de mídia. E isso eles conseguiram. Inquietaram a Imprensa Mundial e mais uma vez fustigaram o aparentemente belicoso povo judeu. Indignaram o mundo. Fato.

A ação, um tanto desastrada, teve de tudo: bombas, tiroteios, execuções ao relento, sequestro de reféns, cercos policiais, recarga dos armamentos ao ar livre, morte dos terroristas, pistas para encontrar familiares e amigos dos bárbaros…, belo circo de horror. Por outro lado, a Imprensa mundial, as reações online, os debates acalorados em todos os recantos do mundo, só comparados aos acontecimentos do 11 de setembro de 2011, no Ataque ao WTC, nos EUA. Finalmente, tudo se deu em Paris, França.

O mal já está feito, a despeito do sofrimento dos familiares e amigos de inocentes e artistas, mesmo que ativistas políticos, mas que nunca puseram uma arma letal nas mãos.

No entanto, se serve como consolo, o desastroso ato terrorista, do ponto de vista da destruição dos dois lados afetados materialmente, fez acordar um verdadeiro clamor popular, a nível mundial, contra extremistas e radicais de qualquer orientação política que posa existir. Por esse viés, não vejo o que pode ter lucrado o lado do mal. Cheira a uma grande idiotice, não fosse a realidade da perda de entes queridos.

De qualquer forma, como em toda guerra, resta-nos e aos desajustados que promoveram essa barbárie, a já tão conhecida e comentada sensação de vazio, do nada obtido, a não ser momentos de sádico prazer em doentios lapsos de irracionalidade.





“Pátria Educadora” – Conversa para peixe-boi dormir…

6 01 2015

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Nessa segunda-feira, 05 de janeiro, o senador da república Cristovam Buarque(PDT), ele próprio ou sua assessoria, publicou no Facebook comentário a respeito do pacote de medidas ou intenções a que a presidente Dilma divulgou chamando de “Programa de Governo”, para os próximos 04 anos. Dentre novas diretrizes apresentadas estava o “Programa Pátria Educadora”…

Quem, como, quando?… ‘Quem’ nunca fez e nunca se insurgiu com o quadro de coisas que seu antecessor(Lula) ajudou a perpetuar. ‘Como’ não se deve pensar a educação de um povo, contribuindo para o sucateamento do sistema educacional como um todo. ‘Quando’ já nada mais resta em pé o que se possa aproveitar, além do tempo perdido e irrecuperável, junto aos trilhões mal gastos(não investidos) na educação brasileira, nos últimos anos. Eis o que representa o arroubo intervencionista da presidente num assunto que certamente desconhece.

Não adianta dar o nome de “Pátria isso ou aquilo” – já não nos engana. Pois, há muito que a questão requer uma verdadeira quebra de paradigmas, dando um novo impulso e orientação ao sistema educacional brasileiro. Quem já se viu nomear Aluízio Mercadante para ministro da Educação – para fazer o quê? Só para termos um exemplo dos tantos desmandos e descasos…

Portanto, diletante do tema Educação, com prazer, publico neste meu blog aquele conteúdo defendido pelo ilustre senador, ao que nomeou de “Manual para fazer uma Pátria Educadora”:

“Manual para fazer uma Pátria Educadora:

Entender que o principal recurso da Pátria Educadora são as crianças, por isso, a pátria educadora nasce na escola de base, incluindo a educação infantil, desde a primeira idade.

  1. Reconhecer que esta escola é formada, sobretudo, pelo professor e que, para a pátria ser educadora, ela deve escolher para professores de suas crianças os jovens mais brilhantes de suas universidades.
    3. Saber que para atrair os melhores jovens para a atividade de magistério, esta carreira deve estar entre aquelas com as melhores remunerações de todas as profissões.
    4. Considerar que na Pátria Educadora os melhores e melhor equipados prédios públicos de cada cidade devem ser suas escolas, na qualidade e beleza de suas edificações, nos equipamentos culturais e esportivos disponíveis e no uso dos mais modernos equipamentos de tecnologia da informação para fins pedagógicos.
    5. Definir, nacionalmente, os métodos de formação, seleção e avaliação para que os jovens atraídos devam ser escolhidos de forma cuidadosa, exigindo-se deles a mais absoluta competência, dedicação exclusiva ao magistério e sujeitos a um regime de trabalho que permita substitui-los se não participam realmente da construção da Pátria Educadora.
    6. Perceber que a educação é um processo integral, com o máximo de tempo da criança em atividade escolar, complementada com o envolvimento dos pais, da mídia e de toda a sociedade pela prática cultural e pelo exemplo dos líderes. O que vai exigir um grande programa de educação de todos brasileiros, desde a erradicação do analfabetismo entre adultos, até uma educação também para os que são instruídos, mas são deseducados. Esta educação de todos será necessária inclusive para que a população entenda e adote o lema de Pátria Educadora, depois de 515 anos em que a educação tem sido vista sem a prioridade merecida.
    7. Assumir que, para a pátria ser educadora, a educação tem de quebrar as duas amarras que hoje aprisionam as crianças: o CPF dos pais para pagar uma boa escola privada e o CEP de onde ela mora para oferecer uma boa escola pública, por isso, para construir a Pátria Educadora, a responsabilidade pela educação terá de ser responsabilidade da nação, ou seja: financiada, normatizada e avaliada pela União, com uma carreira nacional para o professor e todas as escolas com a mesma qualidade.
    8. Adotar a educação como uma responsabilidade federal e não municipal ou estadual, limitando o papel das unidades federativas à tarefa de definir a parte local do currículo e participar da gestão descentralizada de cada escola.
    9. Convencer as universidades, a mídia, o congresso, os partidos, empresários toda a sociedade de que educação é progresso e formar um pacto nacional para que isto possa ser executado ao longo das próximas décadas, em sucessivos governos.
    10. Transformar o lema Pátria Educadora em realidade legal, sob a forma de leis, decretos e normas inclusive orçamentárias, além de criar a base política necessária para fazer o lema sair do marketing inicial e entrar na história”.

Eis o ‘que fazer’ e boa parte do ‘como fazer’. O ‘quando fazer’, me perdoem governos de hoje e de ontem, a data já passou junto ao bonde da felicidade, enquanto ficamos na janela vendo a banda passar, ajudando a transferir riquezas produzidas aqui para outros lugares, mundo afora.

Numa publicação anterior a essa, o senador expressa a preocupação que, de fato, todos devemos ter, ao desconfiar:

“Lema de Governo ou Prioridade Nacional?

Quando nos anos 1970 a Irlanda decidiu que o sua prioridade seria construir uma nação com a máxima educação, as lideranças nacionais se reuniram por muitos dias em um castelo na cidade de Kork até formarem um acordo nacional e assumirem o compromisso de, partir dali, os governos se sucederiam sempre com a educação como a principal prioridade. Houve a prioridade de uma vontade do país e não apenas o lema de um mandato do governo no poder naquele momento.

Nada indica que a presidente Dilma ouviu e conseguiu o apoio de todos os partidos de sua base tão contraditória para fazer do Brasil uma pátria educadora. Também não se tem conhecimento se ela escutou as lideranças empresariais, os donos da mídia, os sindicalistas, os governadores e prefeitos, toda a liderança nacional.
Por isso, fica ainda a dúvida se a ideia de seu lema representa uma prioridade nacional, que atravesse o seu governo e outros adiante, ou se é apenas um lema, nada mais. Por via das dúvidas, devemos torcer que a proposta seja uma ideia de prioridade nacional e não apenas o lema de um mandato de governo”.

Particularmente, eu já trazia a mesma impressão, quando dias antes publiquei no mesmo Facebook, “Uma nova política para a Educação deve ser uma questão de Estado, um projeto de Nação e não uma política de governo”. Nada que não tenha bem aprendido com boas cabeças pensantes e comprometidas com um projeto de nação desenvolvida, livre e soberana.

Se eu fosse um(a) presidente deste país teria vergonha de ir a imprensa anunciar um projeto vazio e eivado de conversa para, digamos, peixe-boi dormir…





Cuba tenta a democracia

30 12 2014

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Há poucos dias o mundo recebeu, com surpresa, o anúncio do presidente norte americano Barack Obama do reatamento das relações diplomáticas e comerciais entre EUA e Cuba. Realmente, após quase meio século de hostilidades e embargos entre os dois países, cada um representante de ideologias conflitantes, num velho e conhecido dilema, capitalismo x comunismo, a notícia ainda sofre do compreensível ar de desconfiança do mundo, principalmente por parte dos cubanos. Ocorre que, em Cuba, Raul Castro ainda considera a manutenção do atual embargo econômico, diante de grandes diferenças estruturais, econômicas e financeiras entre as duas nações.

Os sinais já vinham sendo anunciados, mesmo que timidamente, pelo Governo Barack Obama. Tanto que, em abril de 2014, o presidente americano levantou as restrições a viagens a Cuba, bem como, de remessas de dinheiro feitas por cubano-americanos para seus familiares residentes na ilha. Naquele momento, tal anúncio representou uma das mais significativas mudanças da política externa norte americana em relação à Cuba, ao longo de quase meio século, desde 1962.

No entanto, o que deveria parecer a todos, unanimemente, uma “boa notícia”, ante a distensão política que ela provoca, faz torcer narizes de norte americanos e cubanos, se forem levados em conta apenas aspectos econômicos e financeiros, no caso, incomparáveis entre ambos. Há muito mais em jogo e a ser considerado no que tange às peculiaridades culturais, sociológicas e geopolíticas dos dois países. Há que se reconhecer que os mais de 11 milhões de cubanos tendem a guardar dentro do peito certa doze de sentimento de opressão tanto contra os EUA, como contra a Ditadura Castrista, há quase 50 anos no poder, enriquecendo às custas do sofrimento de um povo sem liberdades. Some-se a isso o sentimento de irreparável perda de tantos militantes e fugitivos da ilha, seja mortos pelo regime, seja tragados pelas águas do Mar do Caribe. Não são coisas e fatos que se dissipam após um movimentado capítulo de telenovela, ou após uma vibrante partida de futebol.

Já há alguns anos, a despeito dos embargos e proibições e, por que não dizer de verdadeiras e repugnantes perseguições políticas patrocinadas pelo regime cubano dos irmãos Castro, a sociedade cubana vem, paulatinamente, conquistando espaços na Web, o que muito impulsionou o apoio midiático e de parentes e simpatizantes das correntes libertárias cubanas, posicionadas noutros países, curiosamente e em bom número, nos EUA. O regime cubano, poderíamos dizer, seria hoje um perfeito exemplo de nação que constrói, promove e vivencia uma histórica e profunda mudança estrutural socioeconômica e política, a partir dos efeitos da Era da Informação, através de seus recursos tecnológicos. Bastante curioso, também, é percebermos a dicotomia vivida pelo conceito de “movimento libertário”, quase sempre ligado às correntes progressistas de pensamento, mas que, no caso de Cuba, uma ditadura socialista, parte de seus ativistas revolucionários veste algumas peças da indumentária capitalista e seus desdobramentos sócio-culturais.

Tem gente trabalhando e bastante engajada nos debates a esse respeito e isso já faz um tempo. Uma das mais confiáveis fontes de conhecimento da realidade cotidiana, social e política cubana é a filóloga e blogueira Yoani Sánches, já uma personalidade mundialmente famosa e representante de uma parcela da população cubana plenamente consciente de suas reponsabilidades políticas e historicamente em construção. Há muitos outros colaboradores e lideranças intelectuais cubanas em atividade pelo mundo afora. Entre eles, revolucionários x reacionários, comunistas x capitalistas, inimigos x simpatizantes, sendo muitos mantidos pelo prestigioso manto do poder da ditadura. Esse é um flash do atual momento da sociedade cubana que podemos perceber, por exemplo, no site: http://www.14ymedio.com/blogs/generacion_y/, o qual recebe variadas contribuições de destacados jornalistas e articulistas, entre outras lideranças culturais da ilha, lá residentes e além-mar.

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Nesse clima, na tarde dessa terça-feira, 30 de dezembro de 2014, o mundo, bem como a sociedade cubana, pretendem ter um encontro histórico com a democracia. A ativista e artista plástica cubana Tania Bruguera convocou a população de Havana para participar de uma inédita manifestação popular, de caráter político, na Plaza de La Revolucion, um dos templos de grandes acontecimentos históricos na capital cubana. Sob o disfarce de uma “performance artística”,  largamente divulgada nas mídias sociais sob o título “#yotambienexijo”(#eutambemexijo), Tania programa colocar um microfone aberto à disposição do povo. Cada participante poderá dispor de 1 minuto para expressar suas aspirações e desejos, bem como, registrar críticas e propostas, desde que, seguindo as melhores regras da boa convivência social e política.

Isso é realmente possível? Não se sabe. Tania Bruguera garante cumprir todas as exigências legais à permissão oficial do evento; críticos e simpatizantes não creem ser possível tal intento sem provocar perigosamente o regime; uns a consideram uma oportunista a serviço da ditadura, enquanto outros, de tão aguerrida, a veem irresponsavelmente atrevida e capaz de fazer ruir os avanços até aqui conquistados; e assim cuba experimenta a desejada democracia, capaz de restituir direitos e liberdade individuais ao povo. Para completar, em comunicado, a presidência da “Asociación de Artistas Plásticos de la UNEAC” culpa Bruguera de querer entorpecer as presentes negociações entre Cuba e EUA.

Não é fácil. Mesmo diante de uma incrível pobreza, da fome, do isolamento cultural e econômico de Cuba; apesar das evidências da má fé do regime dos irmãos Castro; das denúncias de corrupção endêmica na ilha, ainda assim, muitos cubanos, em nome de um carcomido romantismo socialista, estão convictos de que a queda dos embargos econômicos por parte dos EUA trata-se apenas de entregar-se de mala e cuia a esse outro pretenso inimigo histórico. Por outro lado, parcela da população imagina estar à beira de, como num passe de mágica, dar fim a todos os seus problemas conjunturais, de dificuldades diversas, sem oportunidades de vida e, de forma importante, os embates políticos, assim que concretizar-se o atual projeto entre as duas nações.

Vejamos, em breve, que gosto tem a pretensa democracia cubana.





Então, bilionariamente… Eu, heim ?! Então…

17 12 2014

Dinheiro

ENTÃO, alguém é um desses grandes empreiteiros ou cartel deles, ou ainda um ajuntamento de duas ou mais pessoas representantes dessas empresas junto ao Governo, no caso do PT. Daí, vendo a grande nau à deriva e fazendo água – digo, óleo -, ou melhor, petróleo; não, é água mesmo, um quase naufrágio; resolve ter uma ideia salvadora. Pois, já que o prejuízo que vem é grande BILIONÁRIO e não havia sido calculado, algo tem que ser feito, BILIONARIAMENTE.

ENTÃO, já que as ações da maior empresa do País, a Petrobras, estão em queda, despencando pelas tabelas, que tal provocar uma queda ainda maior e, quando os preços das ações estiverem lambendo o convés, comprar tudo já que, inevitavelmente, haverá uma inevitável recuperação da empresa a curto prazo? Assim, perde-se agora, mas ganha-se ainda mais no futuro próximo, BILIONARIAMENTE – virtude de quem é capitalista e tem uma fortuna incalculável guardada em algum lugar.

ENTÃO, ante o clamor popular pela depredação da empresa “orgulho nacional”, decorrente do olho grande e da ida com muita sede ao pote por parte dos “camaradas”, misturados com a delinquência política e governamental da história brasileira do momento, o tal “ALGUÉM”, ainda se sai como salvador da pátria. Mais ainda! Sai como grande justiceiro implacável e defensor dos interesses soberanos do povo mais oprimido e espremido na Nação Brasileira, BILIONARIAMENTE afetada por alguns pequenos erros contábeis, verdadeiros acidentes de percurso, típicos de empresa do porte BILIONÁRIO da Petrobras.

E o que pensar daquela história dos “royalties do famigerado Pré-sal”?…

E como vai ficar o dinheiro prometido à EDUCAÇÃO?… Eu, heim ?!

ENTÃO, ENTÃO, ENTÃO…








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